O otimismo do empresário do comércio cresceu pela segunda vez consecutiva em Belo Horizonte. Em julho, a expansão chegou a 11,7 pontos percentuais (p.p), um reflexo da vacinação contra Covid-19, que ultrapassou a marca de metade da população imunizada com a primeira dose na capital. Assim, o indicador da Fecomércio MG fechou o mês de julho no mesmo patamar de dezembro de 2020, quando atingiu 102,3 pontos, superando a fronteira do otimismo (100 pontos).

Mas enquanto o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) captou o ânimo pela retomada do setor, a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) mostrou, mais uma vez, a cautela do consumidor. Em julho, o indicador variou 1,9 p.p acima do apurado em junho, atingindo 63,7 pontos. A inflação, o desemprego e o encarecimento do crédito mantiveram esse percentual distante do período pré-pandemia, quando chegou a 94,6 pontos em fevereiro em 2020.

Para o economista-chefe da Fecomércio MG, Guilherme Almeida, a manutenção da reabertura do comércio têm beneficiado as empresas. Contudo, as famílias ainda sentem o impacto da redução da renda. “Quanto mais imunizados contra Covid-19 tivermos, mais previsíveis serão as medidas do poder público, dando confiança ao empresário. Mas, diante da piora da situação macroeconômica, o consumidor ainda tende a privilegiar o consumo essencial para fugir das dívidas”, avalia.

Confiança para investir

O Icec reflete as perspectivas em relação ao futuro da economia, do comércio e das empresas, antecedendo aos resultados nas lojas. O indicador serve como referência para decisões relativas ao desenvolvimento local, além de subsidiar os empresários em investimentos e na geração de novos empregos. Em julho, todos os subindicadores que compõem o Icec registraram alta.

O destaque foi o Índice de Condições Atuais do Empresário do Comércio (Icaec), que alcançou 75,5 pontos, um avanço expressivo de 18,2 pontos. O item avalia a evolução das condições atuais da economia do país, do setor e das empresas. Com projeções para o futuro próximo, o Índice de Expectativa do Empresário do Comércio (Ieec) fechou em 134,7 pontos, 8.8 p.p. acima do apurado em junho.

Já o Índice de Investimento do Empresário do Comércio (Iiec) registrou a menor alta entre os três itens: 8,2 p.p. acima do verificado em junho. Com isso, encerrou o mês de julho em 88,5 pontos. O subindicador retrata os planos de melhoria na loja e de ampliação de estoques e do quadro de funcionários. Em relação às admissões, 61,8% disseram que pretendem contratar nos próximos meses.

Consumo comedido

Elaborado com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), assim como o Icec, a ICF mede, com precisão, a avaliação mensal dos consumidores sobre aspectos relacionados à condição de vida de sua família. Entre esses fatores estão a capacidade e a qualidade de consumo atuais e de curto prazo, o nível de renda doméstico e a segurança no emprego.

Na avaliação, todos os itens da ICF tiveram alta ou se mantiveram estáveis, como é o caso do emprego atual (de 90,4 pontos para 93,2); perspectiva profissional (de 79,7 para 87,1); renda atual (de 76,7 para 75,9); acesso ao crédito (62,1 para 63,4); nível de consumo (de 40,4 para 42,2); perspectiva de consumo (61,6 para 62,8) e intenção de consumo de bens duráveis (de 21,8 para 21,1).

“Na capital, 75,9% dos consumidores relataram que a renda familiar está pior ou igual ao mesmo período do ano passado. Esse cenário, associado ao desemprego e à inflação, adia a compra de itens duráveis, que exigem mais investimentos de parte das famílias, como empréstimos e financiamentos”, ressalta Almeida.

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