O aumento da inflação, o achatamento da renda e a dificuldade de acesso ao crédito tem influenciado o orçamento das famílias em Belo Horizonte. Com isso, a inadimplência registrou uma nova alta de 1,7 pontos percentuais (p.p.), atingindo 38% das famílias da capital em setembro. Maior resultado obtido em 2021, o valor supera o registrado no mesmo período de 2020, quando o índice alcançou 34,6%.

Essa tendência de alta foi acompanhada pelo endividamento, que novamente atingiu o maior patamar nos últimos dois anos. Em setembro, ele alcançou 87,5% da população, uma alta de 2,7 pontos. Além disso, essa variação atingiu 8,7 pontos em relação ao mesmo período de 2019. Já o número de consumidores que não terão condições de quitar suas dívidas oscilou para 17,8%.

“Observamos um crescimento no endividamento e inadimplência desde os últimos meses de 2020 e, no atual cenário, começam a preocupar. As famílias estão presenciando uma alta dos preços e o achatamento da renda, o que compromete o poder de compra. Com isso, a proximidade de datas comemorativas de elevado consumo, como Dia das Crianças, Black Friday e Natal acende um sinal de alerta em relação à inadimplência. Sendo necessário que o consumidor redobre a atenção com os gastos”, explica Gabriela Martins, economista da Fecomércio MG.

Os dados integram a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), elaborada pela Fecomércio MG, com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A avaliação apontou, ainda, que a principal modalidade de endividamento continua sendo o cartão de crédito (82,0%), seguido por carnês (21,9%); cheque especial (9,6%); financiamento de automóveis (8,5%) e crédito pessoal (6,2%).

Em Belo Horizonte, o endividamento representa até 50% da renda familiar em 80,7% dos casos. No entanto, atinge mais da metade do orçamento mensal para 21,7% dos entrevistados. Em média, o tempo de comprometimento da renda é cerca de sete meses. Já entre as famílias que possuem contas pendentes, 65,4% afirmaram que o período de atraso é superior a 90 dias.

Para elaborar a pesquisa de setembro, foram entrevistadas mil famílias residentes na capital mineira. A margem de erro da Peic, realizada nos últimos dez dias de agosto, é de 3,5%, e o nível de confiança é de 95%.

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