Endividamento das famílias em BH encerra o primeiro trimestre com oscilação positiva

Pelo terceiro mês consecutivo, o endividamento das famílias em Belo Horizonte registrou uma variação positiva de 0,7 ponto percentual (p.p.), alcançando 69,4% em março. Já o percentual de inadimplentes se manteve estável, registrando 31,3%. Esse movimento foi seguido pelo percentual de consumidores que afirmaram não ter condições de quitar a dívida: 13,3% em março.

Os dados integram a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), elaborada pela Fecomércio MG, com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A pesquisa retrata o comprometimento da renda familiar com financiamento de imóveis, carros, empréstimos, cartões de crédito, lojas e cheques pré-datados, bem como a capacidade de pagamento dos consumidores.

De acordo com a análise, o cartão de crédito (85,5%) continua sendo a principal modalidade de dívida contraída, principalmente entre as famílias com renda superior a dez salários mínimos (87,7%). Em seguida, aparecem carnês (10,7%), financiamento de carro (10,6%), financiamento imobiliário (7,7%), cheque especial (7,6%), crédito consignado (6,5%) e crédito pessoal (5,2%).

“Uma das razões do aumento do endividamento está diretamente ligada cada vez mais ao uso do crédito, principalmente do cartão de crédito, para se fazer compras de bens essenciais, por exemplo alimentos e combustíveis. Então, existe uma tendência cada vez maior de as famílias terem sua renda reduzida, principalmente nesse período de pandemia, e usar as suas fontes de crédito para conseguirem consumir coisas básicas”, destaca a economista da Fecomércio MG, Gabriela Martins.

Em Belo Horizonte, o endividamento representa até 50% da renda familiar em 56,7% dos casos. No entanto, atinge mais da metade do orçamento mensal para 22,8% dos entrevistados. Em média, o tempo médio de comprometimento da renda é de sete meses. Para elaborar a pesquisa de março, foram entrevistadas mil famílias residentes na capital mineira. A margem de erro da Peic, realizada nos últimos dez dias de fevereiro, é de 3,5%, e o nível de confiança é de 95%.Confira, na íntegra, o relatório da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) de março de 2021