Utilização do cheque especial aumenta entre consumidores de BH

Levantamento da Fecomércio MG indica que essa modalidade de crédito tem assumido papel cada vez maior no complemento de renda das famílias

A necessidade de tomar crédito para complementar a renda mensal cresceu em Belo Horizonte no mês de maio, atingindo principalmente a população que possui renda mais elevada. Segundo a edição mais recente da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), desenvolvida pelo setor de Estudos Econômicos da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG), o número de pessoas com renda superior a dez salários mínimos que recorrem ao cheque especial aumentou 5,5 p.p entre abril e maio, chegando à marca de 16,4%.

“Devido ao abrandamento da pandemia, causado principalmente pelo avanço da vacinação da população, as pessoas estão voltando a ter confiança em frequentar o comércio de rua e a adquirir certos serviços que foram prejudicados pelo período mais intenso da pandemia. Dessa forma, os consumidores com renda superior a dez salários mínimos vem retomando o seu consumo de serviços voltados ao entretenimento e turismo”, explica a economista da Federação, Gabriela Martins.

A especialista explica ainda que, apesar do cheque especial ter um dos maiores juros do mercado (125,49% ao mês, em média), essa modalidade de crédito ainda apresenta um custo menor do que o rotativo do cartão de crédito (399,91%, em média). Dessa forma, para essas famílias, pode se tornar preferível a utilização de uma parcela do cheque especial disponível por um curto período de tempo para evitar entrar no rotativo do cartão de crédito.

A Peic traça o quadro de endividamento e inadimplência dos consumidores da capital mineira, e engloba dados para a orientação dos empresários que utilizam o crédito como ferramenta estratégica. De modo geral, a tendência do índice é de estabilidade. Em maio, 86% dos consumidores estavam endividados, 1,9 p.p inferior ao último mês. O percentual de consumidores com contas em atraso diminuiu na comparação mensal, assumindo o valor de 43,5% em abril.

O levantamento também traz dados sobre a parcela das famílias endividadas que não terão condições de honrar seus compromissos financeiros. Este índice somou 15,4%, no período analisado, número que representa um leve aumento de 0,6 p.p. Vale destacar a redução da quantidade de pessoas que estão otimistas em relação à quitação de seus débitos no próximo mês. O percentual, que era de 26,7% em abril, foi a 21,4% em maio.

A parcela da renda comprometida pelas dívidas supera os 10% em 80,6% dos casos. O percentual de famílias com dívidas que envolvem mais de 50% do orçamento mensal teve um aumento notável no período, atingindo 28,6% em maio. Aumento de 3,9 p.p em relação a abril. Em média, as dívidas comprometem 32,3% do orçamento do mês para as famílias da capital.

Confira, na íntegra, a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) – Maio de 2022